Outro dia encontrei uma ex-aluna da pós-graduação que me perguntou, com uma mistura de carinho e cobrança: “Por onde você anda? Estou sentindo sua falta no LinkedIn”. Respondi contando um pouco dos projetos em que estava envolvida, das aulas, consultorias, doutorado, textos, reuniões e entregas que ocupavam meus dias. Ela ouviu tudo e, de bate-pronto, sentenciou: “Você precisa postar isso”.
Fiquei pensando nessa frase. Talvez, no mundo de hoje, ela estivesse até muito certa. Já não basta fazer. É preciso mostrar que se faz. É preciso parecer competente, com frequência, método e boa iluminação.
A reputação, antes construída lentamente pela entrega, pelo tempo, pela confiança e pela memória de quem trabalhou conosco, agora também precisa ser editada, narrada e publicada. A conquista precisa reverberar em volume máximo.
No LinkedIn, tudo ganha moldura. A promoção vem acompanhada de uma longa reflexão sobre propósito. Até a demissão, muitas vezes, surge embalada em um textão elegante sobre ciclos, aprendizados e novos desafios.
Claro que há valor nisso. Para quem busca uma recolocação, constrói autoridade em uma área ou precisa abrir portas, comunicar bem o próprio trabalho é importante.
Essa lógica não está apenas no mundo corporativo. Chegou também ao ambiente acadêmico, à consultoria, à vida intelectual, à produção de conteúdo. Há uma pressão silenciosa para transformar tudo em prova pública de relevância. Quem aparece mais, muitas vezes, parece saber mais.
Talvez por isso esse tema canse. Porque muitos profissionais com trajetórias sólidas, clientes atendidos, alunos formados, problemas resolvidos e resultados concretos se veem, de repente, competindo não apenas por competência, mas por visibilidade.
Não estou aqui defendendo o silêncio absoluto nem de romantizar a discrição. O mundo mudou, e comunicar o que se faz também faz parte do trabalho. Mas há uma diferença entre construir reputação e fabricar aparência. A competência verdadeira talvez continue sendo aquela que resiste quando a luz do post apaga.

